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Bibliografia   
As Solas do Sol

Editora: Bertrand Brasil
ISBN: 8528606783
Ano: 1998
Número de páginas: 128
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As Solas do Sol se oferece como universo poético - metafórico altamente elaborado, que, recusando in limine todo e qualquer traço de lirismo ou subjetivismo, bloqueou na nascente a possível paixão ou arrebatamento para deixar existir somente o poema


Um Terno de Pássaros ao Sul

Editora: Escrituras
ISBN: 8586303747
Ano: 2000
Número de páginas: 95
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Um Terno de Pássaros ao Sul faz uma busca às origens neste longo poema que relata a aproximação de um homem com o seu pai, escrito como se fosse uma longa carta sem pausas.


Um Terno de Pássaros ao Sul

Bertrand Brasil, 2008
3 ª edição - com poemas novos
Capa: Silvana Mattievich
14 x 21cm
Número de páginas: 95
ISBN: 978-85-286-1313-1
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Celebrando os dez anos de trajetória do poeta Fabrício Carpinejar, a Editora Bertrand Brasil apresenta a edição revista, com poemas inéditos, de UM TERNO DE PÁSSAROS AO SUL, o segundo livro do autor. Num embate dramático, a obra representa o diálogo derradeiro de um filho com seu pai ausente. O pai já estará morto? Será que ainda dá tempo de limpar as desavenças e resgatar a amizade? É um acerto de contas em que o pai escritor é questionado por ter saído cedo de casa: o filho pede o retorno paterno ao pampa, sua terra natal, tenta romper o silêncio e entender seu distanciamento, demonstra o amor ainda que pela briga, raiva e saudade. Aclamada pela crítica como uma versão do clássico Carta ao pai, de Franz Kafka, escrita em versos, é uma obra emocionante e contundente do autor de Cinco Marias, O amor esquece de começar e Meu filho, minha filha.

Ivo Barroso ressalta a harmonia do conjunto: “Fabrício conseguiu escrever um livro de espantosa unidade, um tema com variações, cada qual mais rica, sem apelar para a fanfarra dos metais nem o ribombo das percussões. Composto em trios ou estrofe de três versos, multimétricos, nele desenvolve um ritmo interior, de quase confissão, como palavras ditas na sombra, mais dirigidas a si mesmo que o destinatário desta carta-poema ou deste aceno de volta”. Ignácio de Loyola Brandão, por sua vez, afirmou que “não há aqui formalismo, nem concretismos estéreis, nem vanguardismos superados, nem buscas de formas sem essências. O que já é um homem sensível, aberto para a vida, cheio de emoção e que transmite essa emoção de um modo muito particular.”

O volume inicia no pampa e termina no mar, selando o encontro entre duas lonjuras, duas referências míticas e geográficas de espaço aberto. O escritor partilha sua verdade, reconhecendo o destino intransferível e pessoal que o mundo confiou a cada família.


Terceira Sede

Editora: Escrituras
ISBN: 8575310143
Ano: 2001
Número de páginas: 76
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Terceira Sede apresenta dez elegias que abordam a solidão, a velhice, o amor e a busca da verdade. O narrador escreve o os poemas quando conta com 72 anos, em pleno ano de 2045.


Terceira Sede
(nova edição)

Editora: Bertrand Brasil
ISBN: 8528613844
ISBN-13: 9788528613841
Ano: 2009
Número de páginas: 96
Brochura - 21 x 14 cm
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Em 'Terceira sede', o narrador perdeu recentemente a esposa e recorda sua trajetória abordando a vida com lucidez e honestidade. São poemas sobre a maturidade, a dificuldade de adaptação, o isolamento e o preconceito sofrido pelos idosos.


Biografia de uma Árvore

Editora: Escrituras
ISBN: 8575310410
Ano: 2002
Número de páginas: 104
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Biografia de uma árvore é poesia incomum no panorama da literatura brasileira. Em seu quarto livro, o reconhecido escritor gaúcho Fabrício Carpinejar completa um ciclo autoral iniciado com As Solas do Sol (1998), resgatando o personagem de sua estréia, Avalor (sem valor). Biografia de uma árvore tem raízes fundas em nossa época.


30 segundos
Coleção de mini-livros de lançamento
da Era o dito Editora

Caixa de sapatos - antologia

Editora: Companhia das Letras
ISBN: 85-359-0397-6
Ano: 2003
Número de páginas: 80
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Seleta de quatro livros do autor gaúcho, um dos grandes nomes da nova poesia brasileira. Não é sempre que um escritor de voz original surge com tamanha maturidade. O talento em relacionar imagens fulgurantes e apuro formal faz de Carpinejar uma voz singular da poesia brasileira contemporânea.
Desde As solas do sol (1998), percebe-se a densidade de sua poética, repleta de experiência da terra de origem, mas permeada de força universal. Em Um terno de pássaros ao sul (2000), o autor relaciona-se com a ausência da figura paterna. Em Terceira sede (2001) e Biografia de uma árvore (2002), o poeta projeta-se no futuro e deixa a velhice dar contornos à poesia.
Neste Caixa de sapatos, os espaços da imaginação, da memória e da realização poética se encontram. Para o autor, prosseguir na fábula é estratégia para fazer a realidade emergir com mais força.


Cinco Marias

Editora: Bertrand Brasil
ISBN: 85.286.1055-1
Ano: 2004
Número de páginas: 128
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Cinco Marias é a mais recente invenção do premiado poeta gaúcho Fabrício Carpinejar, que retrata o universo passional e sensível de uma mãe e suas quatro filhas. Lançamento da Bertrand Brasil, revela-se um livro de mulheres para mulheres, que os homens vão desejar espiar. "Palavras, mulheres e histórias andam juntas, parece. Engraçado é quando acontece delas terem nascido num coração de homem", comenta Adriana Falcão na apresentação.
A obra pode ser lida tanto como poesia como romance. Registra o diário de uma casa, imitando o jogo infantil com o revezamento de vozes. Cada poema é a fala de uma das protagonistas. Segura-se uma das pedras de pano para pegar a outra, assim as personagens se complementam até um final surpreendente.
Sem pontuação teatral, o leitor terá que definir pelo temperamento quem está falando. "Descobrirás quando minto./ Não exagero/ ao contar uma verdade."
Poema com enredo, trama e suspense. Tudo começa com a estranha ordem materna de enterrar a biblioteca. O marido e pai não aparece, fica como uma sombra rondando os aposentos. "Separar-se,/ uma porta arrombada por dentro." O mundo feminino é apanhado com delicadeza e ternura. "Só na nudez/ sobra espaço/ para me ocultar."
A escritora Ana Miranda afirma na abertura: "Quando pequena eu jogava o jogo das cinco marias, cinco pedrinhas passavam por baixo do arco dos meus dedos, um jogo de habilidade e atenção, sem suspeitar da vida simbólica que aqueles gestos guardavam. Incapaz de imaginar que numa noite iria ler, com um sentimento abissal de encanto, este livro, escrito sobre o fio da lâmina, e que nos corta a alma para fazer penetrar a pureza da palavra."
Cinco Marias ainda permite ser compreendida como continuação de Biografia de uma árvore (2002), agora acompanhando a família do Dr. Ossian, médico que considerou louco Avalor, personagem dos demais livros.


Como no céu/Livro de visitas

Editora: Bertrand Brasil
ISBN: 97.286.1102-7
Ano: 2005
Número de páginas: 224
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A mais nova obra do premiado poeta gaúcho Fabrício Carpinejar, autor do sucesso Cinco Marias, é uma combinação de dois trabalhos independentes: Como no céu e Livro de visitas. O primeiro é solar; o segundo, escuro. Enquanto Como no céu acontece de um lado, Livro de Visitas ocorre do outro e será lido de trás para diante, do fim ao início. Publicados em um único volume, sem contracapa, os livros tratam de uma mesma história - o cotidiano de uma relação a dois - com finais diferentes. Sutilezas no decorrer das histórias definem e alteram o destino do par de personagens.

 
Em Como no céu, a paciência amorosa conseguiu superar os problemas causados pela intimidade e pela rotina, já em Livro de visitas o tempo passou por cima do casal e deixou um incontrolável rastro de destruição. Por meio de sua poesia fluente, Carpinejar reflete sobre as duas faces de uma só moeda - o amor.
 
É exatamente nesse conflito que a obra vai encontrar a sua força: os poemas de Como no céu (título que conclui a oração do Pai Nosso: "Assim na terra...") completam e confrontam os de Livro de visitas. No primeiro ainda há luz, esperança, humor e diálogo presentes na vida dos protagonistas. Porém, no segundo, tudo está coberto por sombras, rugas, sarcasmo e egoísmo. Carpinejar tece o que chama de "crônica lírica de costumes" ou "novela em versos dos hábitos e vícios da convivência".
 
Em Como no céu predomina a delicadeza e a partilha dos detalhes: "Ela escolheu envelhecer comigo/ Pode ter sido compaixão pela/ minha falta de jeito,/ acaso ou um acidente/ dos cabelos lisos./ Ela escolheu envelhecer comigo./ Pode ter sido amor/ simpatia ou alguma/ perda fora de mim/ que despertou suas perdas." Observações originais e inusitadas permeiam a família como "Minha mulher não é seu nome e uma data inscritos na aliança./ Minha mulher é o sabão seco/ ao redor do anel./ Quando andamos de mãos dadas,/ a aliança faz espuma.". De acordo com Carpinejar, as cartas de amor deveriam ser abertas com os dentes. Millôr, que faz a apresentação, recomenda: " Vai. Lê ele. Devagar. Decifra-o. E ele te devora".
 
Por sua vez, em Livro de visitas persiste a briga, a ironia e a incompreensão: "Custa muito ensaio ser espontâneo./ Passei a vida buscando a verdade./ Quando a encontrei, não mudou nada./ Era mais um morto para carregar" Em um tom conversado e coloquial, o escritor mostra a indiferença que culmina na separação, a acomodação que desemboca no descontentamento. Segundo Manuel da Costa Pinto, autor da orelha de Livro de Visitas, o escritor "retira de cada momento uma sentença iluminadora". Os flagrantes poéticos são implacáveis e não poupam nem o excesso de peso adquirido com o casamento: “Furo o cinto./ Mais um andar em minha carne.”
 
Nas palavras do autor, é uma obra bipolar: de um lado está a vontade de vencer e de acertar; de outro, o medo de perder e de errar. E, afinal, é sobre essa dualidade que se sustenta o desejo.
 
Fabrício Carpinejar vem sendo aclamado por escritores do porte de Carlos Heitor Cony, Ignácio de Loyola Brandão e Antonio Skármeta como um dos principais nomes da poesia contemporânea. Carpinejar afirma: "o que me leva a escrever poesia é o mesmo que me perguntar o que me leva a viver ou a amar. Minha maior inspiração é tudo o que ainda não foi escrito".
 
O livro duplo Como no céu /Livro de visitas é uma prova dessa relevância e originalidade.

Série Paralelepípedos 2
Porto Alegre
e o dia em que a cidade fugiu de casa

Fabrício Carpinejar

I
SBN: 85-98497-05-3
Número de Páginas: 28
Formato: 21 X 21cm
Preço de Capa: R$ 18,50
2004
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Ilustrado por Eduardo Nasi, o livro Porto Alegre e o dia em que a cidade fugiu de casa, de Fabrício Carpinejar, inaugura, ao lado do livro São Paulo e o imperador da China, de Luiz Bras, a Série Paralelepípedos, uma criação da Editora Alaúde. A Série reunirá um escritor de cada uma das 27 capitais brasileiras para apresentar ao público infantil e adolescente a cidade onde ele nasceu, mora ou com a qual tem uma relação afetiva.

O Amor Esquece de Começar
Capa: Silvana Mattievich
Formato: 14 x 21cm
Páginas: 286 páginas
ISBN: 85-286-1171-X
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O poeta gaúcho estréia na prosa com "O Amor Esquece de Começar". Martha Medeiros recomenda na apresentação da obra: "Entre o nonsense e a realidade, Fabricio Carpinejar é mestre em acertar no alvo, ora nos emocionando muito, ora nos emocionando bastante - as duas únicas reações que se pode ter diante deste livro escrito às ganhas".

O escritor flagra pequenos detalhes adormecidos do cotidiano e faz comparações inusitadas como a quebra do tampo do fogão com os problemas de casamento. Utiliza as duas mãos para atravessar a linguagem. De um lado, a poesia, do outro, a crônica. Explora o universo feminino, descreve quando uma mulher goza, o que ela quer, exalta a amizade da velhice, desarma os preconceitos masculinos, mostra qual a gíria entre os homens, explica que a última colher dada a um filho nunca é a última e desmoraliza expressões e eufemismos como 'dar o tempo' e 'ceder'.  A mãe é uma das figuras mais exaltadas em seu texto. "Uma mulher quer dançar para os outros homens, para chamar o seu para perto. Uma mulher quer ser restituída de suas falhas, quer que acreditem nela quando mente, que duvidem dela quando fala a verdade", expressa um dos textos.

A rotina não será mais a mesma depois da coletânea, ninguém levantará os estilhaços de vidro de um copo sem pensar que  "por mais que se recolha os fragmentos, algo ficará piscando no chão no dia seguinte. O vidro faz seu colar para vender ao sol."

Em seu livro,  o amor é uma surpresa e uma confirmação. Um renascimento para quem até então não o encontrava. Um espelho a mostrar a beleza e o vigor a quem sempre soube identificá-lo. "O Amor Esquece de Começar" é esse espelho. A mulher, principal interlocutora de seus textos certeiros, não está sozinha. O homem também pode participar dessas revelações que, apontadas numa direção, atingem todos e tudo. O amor, afinal, é o sentido da vida e o conforto para a assustadora dimensão do universo. "Quero recuperar o romantismo, uma visão cristalina e verdadeira das relações amorosas, um cuidado na fala, a sedução", revela Carpinejar. "Sem idealismo, mas com idealização. A expectativa e a confiança fazem bem ao amor e não podem ser abolidos. Desejo, com as mulheres, o consenso das mãos durante o dia e dos pés durante a noite."


Filhote de Cruz Credo

ISBN: 8599520237
Editora: A GIRAFA EDITORA
Número de páginas: 40
Encadernação: Brochura
Edição: 2006
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Um menino muito feio que tinha uma cabeça enorme, um nariz grande, pés e dentes tortos, pernas finas e testa grande sofria com os apelidos que seus colegas inventavam: Cavalinho de Pau, Cara de Morcego, Panqueca. Para evitar chacotas, preferia ficar desenhando sozinho durante o recreio na sala de aula. Na história quase autobiográfica de Fabrício Carpinejar, essa implicância comum entre as crianças é narrada com humor, sem no entanto maquiar a angústia que ela causa. No final, o personagem consegue reagir de modo surpreendente e, sem precisar brigar com ninguém, consegue o respeito dos colegas além da menina mais bonita da escola.


Meu filho, minha filha

ISBN : 8528612325
ISBN-13: 9788528612325
Editora Bertrand Brasil
Brochura
1ª Edição - 2007 - 144 pág
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Meio-irmãos, casais separados, filhos com criações diferentes. Em seu novo livro de poemas, após o sucesso das crônicas reunidas em 'O amor esquece de começar', Fabrício Carpinejar busca resignificar a figura paterna na atualidade. A partir de um longo poema conversado, 'Meu filho, minha filha' lança um olhar lírico sobre a nova composição da família moderna - feita de várias casas, de finais de semana alternados, da presença de madrastas e padrastos - , em que a educação rígida cedeu ao diálogo, em que as cobranças são mais naturais e constantes, em que os pais são tão crianças desnorteadas quanto suas próprias crianças. O livro traz a experiência em versos de dentro da casa de um pai, que deseja a difícil igualdade de criação de um filho que mora com ele e de uma filha que vive longe, com a mãe. Será que filhos - e pais - já aceitam bem a separação? A pergunta está implícita nos poemas, mistos de desabafos e pedidos de ajuda, sempre envolvidos na elegância lírica de tercetos. Apesar da aprovação social e de códigos de convivência amigável, os filhos guardam ressentimento e incompreensão, obrigados a amadurecer rápido e individualizar a felicidade. A unidade da família talvez tenha sido trocada pela idéia de 'cada um por si'. Há na obra o revezamento dos cantos 'Meu filho comigo' e 'Minha filha sem mim' cobrindo a visão panorâmica de uma casa fervilhando de brincadeiras, brigas e declarações.


Canalha!
Retrato poético e divertido do homem contemporâneo

Formato: 14 x 21 cm Número de Páginas: 320
ISBN 9788528613421
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O novo canalha em ação
Carpinejar destila irreverência e poesia
para retratar o homem contemporâneo


Canalha!, novo livro de crônicas do escritor gaúcho Fabrício Carpinejar, é uma provocação desde o título. Um ato corajoso e irreverente contra os rótulos masculinos. Uma leitura divertida do homem contemporâneo, perplexo e desorientado com as transformações de comportamento e a dissolução dos papéis fixos familiares. O autor mostra que o canalha mantém o charme sexual, mas não é mais o mesmo apregoado pelo Nelson Rodrigues e tantos escritores da metade do século XX.

“Aquele cafajeste de outrora mudou, não é mais o tipo machista e intolerante. Esqueça os personagens de Jece Valadão”, afirma Carpinejar. “Há outro canalha mais perigoso em ação, uma mutação cultural: um canalha caseiro, que não tolera preconceito (aceita ser confundido com gay e entende o chamado como um elogio), que vai fundo no sofrimento para não repeti-lo, gentil dentro das expressões, que ama demasiado os filhos, que se veste com estilo, mas não se importa com o que os outros vão pensar, que encontra a autocrítica no humor, que se aproxima de uma mulher para roubar sua alma (porque o corpo é muito influenciável.”

São crônicas que respeitam sua natureza original de conversa: amáveis e despretensiosas, com jeito de pintassilgo no muro. Para serem saboreadas tanto no café-da-manhã, ao lado de uma boa xícara com leite quente e farelos de pão, ou numa mesa romântica, com a toalha manchada de vinho. E por que não numa leitura a dois na cama, atuando como preliminares?

As verdades mais fortes acabam ditas com delicadeza. Textos leves, chamando o leitor para cada vez mais perto. Uma percepção toda nova do cotidiano, admitindo as imperfeições e as gafes, sem medo de viver para evitar sofrimentos.

“Não crie arrependimentos por aquilo que não foi feito. Sejamos mais reais em nossas dores”, propõe na crônica “Insista”. Puro carisma de um autor, que mede o mundo com as palavras e os gestos, disposto a se abrir e emoldurar as lembranças com suas histórias.

Carpinejar cria uma espécie de contraponto viril de sua coletânea de sucesso, O Amor Esquece de Começar (2006). Defende a “alma masculina” como sinônimo de sensibilidade. Analisa as relações amorosas, homenageia a amizade dos detalhes e as preciosidades da rotina, desfaz tabus sociais. É capaz de provar a gravidez masculina, onde o homem não contará para a amada que aguarda seu filho no ventre, ou de destacar o cuidado dos velhos pais com seus filhos adultos, preservando o quarto deles exatamente como deixaram ao saírem de casa.

O texto de orelha é assinada por Xico Sá: “Entre uma canalhice explícita e um inocente ‘Ivo viu a uva’, Carpinejar, o cronista, o poeta, o fabulador, o mito, o homem, o álbum branco dos Beatles, nos enfeitiça, desgraçado bom de lábia, de escrita e de jabs. Parece golpe baixo, mas o cara é capaz de observar o origami da pressa que foi feito, pela mulher, com o papelão cortado do biquinho da caixa de leite, donde sugere um peito platônico ou quase, pelo menos para os tarados de plantão terá sido mais ou menos isso, por supuesto”.

Textos como “O fim é lindo”, “Sexo depois dos filhos”, “Emprestando roupas ao marido”, “Amor é coisa de boteco”, “É adorável uma mulher toda nua, ou quase, de meias brancas”, “O orgasmo feminino e o quindim” e “Procura-se um brinco”, entre muitos outros, fazem de Canalha! um livro para homens e mulheres – casados ou solteiros, lobos ou cordeiros.

Diferente dos dicionários e muito além do significado dos vocábulos, o escritor gaúcho apanha o sentimento da pronúncia.


Diário de um apaixonado
- Sintomas de um bem incurável


Mercuryo Jovem, 2008
Ilustrações e capa: Rodrigo Rosa
ISBN: 978-85-7272-243-8
Número de Páginas: 79
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Uma versão masculina do álbum “Amar é...”. Reunião de máximas e aforismos descrevendo a repentina mudança de comportamento no amor. Com linguagem simples, bem-humorada e sem pudor, Carpinejar captura a intimidade sigilosa e atrapalhada de um apaixonado. Este é um livro que seduzirá a adolescentes e adultos; afinal, o apaixonado é sempre um adolescente, não importa a idade. Todo apaixonado sofre uma metamorfose apoteótica de personalidade, vive um tempo de suspensão e num espaço muito distante do tédio.

www.twitter.com/carpinejar
A poesia em 140 caracteres

Bertrand Brasil, 2009
Capa: Sérgio Campante
Número de páginas: 84
ISBN: 978-8528614084


Depois de receber o Prêmio Jabuti 2009, categoria Contos e Crônicas, Fabricio Carpinejar surpreende mais uma vez com o lançamento do livro www.twitter.com/carpinejar, em que apresenta 416 das quase mil máximas escritas por ele no Twitter.

Carpinejar, mais do que um autor, é um exímio observador. Em seu novo livro, ele disseca o que todos tratam como banal, colocando a lupa e ressaltando as mais diversas trivialidades da vida cotidiana. Existe fato mais incrível do que perceber o fantástico das pequenas coisas? No desenho curvo de uma mesa, no detalhe escarlate da tampa de garrafa, no cheiro da madeira da janela quando chove ou no tato do cobertor da cama pela manhã. Perceber o detalhe é para poucos e o autor o faz de forma sensível e leve.

No livro, Carpinejar consegue, por meio de pensamentos repletos de sensibilidade, falar da não banalidade das relações, do sofrer, do cotidiano, da família e, principalmente, dos amores. Ele extrai a poesia das coisas, ao mesmo tempo em que se vê limitado pelos 140 caracteres, espaço esse que, segundo o próprio autor, pode fazer sangrar e pode ser inteiro em cada fragmento. www.twitter.com/carpinejar é clássico no conteúdo, mas inovador na forma. Nele, é analisado o tema com que todas as pessoas se identificam: as relações humanas.

www.twitter.com/carpinejar é o primeiro livro com frases postadas no Twitter por um escritor brasileiro. As orelhas, assinadas por Fernanda Takai, Daniel Piza e Abonico, também seguem o tamanho máximo de 140 caracteres permitido
no site.

Twitter é uma rede social, no modelo de microblogging, que permite que os usuários enviem e leiam atualizações pessoais de outros contatos, escritos em textos até 140 caracteres, conhecidos como tweets. As atualizações são exibidas no perfil do usuário em tempo real e também enviadas a outros usuários que tenham assinado para recebê-las. Os usuários podem atualizar sua página e visualizar as atualizações dos amigos. A comScore, empresa que mede estatísticas na Internet, declarou que o site passou de 10 milhões para mais de 40 milhões de usuários únicos de fevereiro a abril de 2009. A rede social é uma ferramenta eficiente de comunicação entre usuários da web, ganhando importância para diversos segmentos. Atualmente, o Twitter já faz parte do planejamento estratégico de muitas empresas, não apenas de comunicação.

Frases do livro:
“Eu perdoo as mentiras. O que não desculpo é a distorção.”
“O abraço é o excesso de palavras.”
“Nunca bebo uísque para tomar coragem; não é bom misturar.”
“Escutar não é deixar de falar. É deixar de se ouvir.”
“Se é para ser o último a saber, quero todos os detalhes.”
“A maior frustração para quem gosta de brigar é ouvir que tem razão no início da conversa. Terá que desativar seu arsenal de argumentos.”
“Homem que discute o relacionamento quando sua mulher pede satisfação não entendeu o recado.”
“Maturidade é diferenciar a tentação da encrenca. A tentação é o desejo certo no momento errado. Encrenca é desejar o momento errado.”


MULHER PERDIGUEIRA

Crônicas
Editora Bertrand Brasil
336 páginas
R$ 37,00
ISBN: 9788528614329


O autor está disposto a advogar os tipos mais estigmatizados no amor: primeiro foi o canalha, agora é a mulher perdigueira. Misturando diferentes situações cotidianas, está do lado de quem é ciumento, passional e briguento nas relações amorosas, capaz de mexer no celular e lutar no orkut. Aborda o universo da mulher passional e romântica, que pega no pé do marido ou namorado, não leva um desaforo para casa e protege sua intimidade com o escândalo.

Desafiando o senso comum da rapaziada, o escritor gaúcho não condena esse perfil feminino. Pelo contrário, é defensor da livre opinião e do temperamento no relacionamento. "Todo mundo quer ser equilibrado, mas o amor é puro desequilíbrio", afirma. Ele acredita que a indiferença é uma doença muito pior do que o ciúme.

"O amor é uma comissão de inquérito, é abrir as contas, é grampear o telefone, é cheirar as camisas. É também o perdão, não conseguir dormir sem fazer as pazes. O amor é cobrança, dor-de-cotovelo, não aceitar uma vida pela metade, não confundi-la com segurança", diz uma das 124 crônicas da obra.

Em páginas delicadas de dor, de amor, de silêncio e prazer, Carpinejar, caracterizado de “predestinado” por Luiz Ruffato, faz o que parece impossível: retira o humor da ternura, viaja pelos aposentos da casa e converte a rotina em deslumbramento.

Com sua artilharia de metáforas e exemplos pessoais, contraria as aparências. Sua verdade é sempre o avesso da verdade. Seja mostrando que o maior sedutor é o fiel, seja reivindicando menos preguiça no elogio e mais criatividade na separação. Em sua coletânea que levou três anos para ser organizada, destacam-se textos que levantam a bandeira do casamento como "Segundo Altar" e "Aumente sua delicadeza em até 28 cm".

Trechos do livro:

“Quero uma mulher perdigueira, possessiva, que me ligue a cada quinze minutos para contar uma ideia ou uma nova invenção para salvar as finanças, quero uma mulher que ame meus amigos e odeie qualquer amiga que se aproxime. Que arda de ciúme imaginário para prevenir o que nem aconteceu. Que seja escandalosa na briga e me amaldiçoe se abandoná-la. Que faça trabalhos em terreiro para me assustar e me banhe de noite com o sal grosso de sua nudez. Que feche meu corpo quando sair de casa, que descosture meu corpo quando voltar. Que brigue pelo meu excesso de compromissos, que me fale barbaridades sob pressão e ternuras delicadíssimas ao despertar. Que peça desculpa depois do desespero e me beije chorando.
A mulher que ninguém quer eu quero. Contraditória, incoerente, descabida. Que me envergonhe para respeitá-la. Que me reconheça para nos fortalecer.”
(p. 16)

“O casamento deveria assinar a carteira. Não dispensaríamos quem amamos com facilidade. Não existiria separação pelo jogo de futebol com amigos ou por não descer com o lixo ou por não lavar a louça ou pelas distrações involuntárias. Seríamos perdoados em nome de nossas virtudes, ainda que poucas, ainda que raras. No momento da briga, não pensaríamos no pior de nossa companhia, mas pescaríamos uma razão qualquer, um motivo remoto, para a insistência. Mesmo que o estômago seja obrigado a cumprir o papel do coração.”
(p. 24)


BORRALHEIRO (Minha viagem pela casa)

Crônicas
Editora Bertrand Brasil
256 páginas
R$ 29,00
ISBN: 97885286

Uma revolução silenciosa tomou conta dos hábitos. Começou, de modo discreto, com uma maior participação na paternidade, seguiu para a cozinha, a lavanderia, e já se pode dizer que não há como contê-la.

O homem é o novo dono do lar. O novo romântico. O novo casamenteiro. Não tem vergonha de chorar, lembra a data do primeiro beijo e conhece de cor e salteado onde ficam as toalhas e quais estão secas. 

Depois dos sucessos de Canalha! e Mulher Perdigueira, Carpinejar retrata a mudança do comportamento masculino. Descobre agora o Borralheiro, personagem que não se sente menosprezado por cuidar das tarefas domésticas.

Em altas doses de lirismo e humor, Carpinejar embarca em uma viagem sem volta pela residência. Passeia por cada cômodo, brincando com as diferenças do comportamento entre marido e mulher e destruindo condicionamentos do sexo e do amor. O escritor não foge de uma boa discussão de relacionamento, tanto que acha que a briga deveria ser profissionalizada com O Dia da DR.

Em 100 crônicas, o escritor confidencia as estratégias divertidas de sedução e faz advertências saborosas para a rapaziada, como nunca mexer no umbigo da namorada ou apertar suas bochechas.

Os segredos revelados são perigosos e com efeitos colaterais imediatos. Preocupado com uma possível epidemia carpinejariana, Luis Fernando Verissimo deflagra uma mobilização nacional:

"Protesto, em nome da classe. O Carpinejar não se contentou em ser o melhor dos novos poetas, também invadiu a nossa área com a mesma originalidade e já é um dos melhores cronistas do país. Ninguém sabe do que ele será capaz, no futuro, se não for detido... É preciso detê-lo. Não o encorajem. Falem mal dele. E, em hipótese alguma, comprem este livro!"

Borralheiro converte o mais ínfimo cotidiano em teorias de sensibilidade, explorando o perfil dos tipos familiares como sogro, o tio, a mãe e os irmãos.

O autor convida cada um a repensar a rotina e se apaixonar novamente pelo casamento. Se em Canalha!, ele indicava a importância dos bicos da caixa de leite, aqui divide com a mulher copos de requeijão e iogurte.

Quando o leitor terminar a obra, estará varrendo a sala, limpando a vida, preparando a comida e as conversas, arrumando a cama e os pensamentos, colocando a roupa e a fragilidade no varal e atendendo aos caprichos insanos do outro.

MOTIVOS PARA SER UM BORRALHEIRO:

* Como todas as empresas estão imitando o ambiente do lar, vide Facebook, é mais confortável ser original e permanecer na própria casa.
* O poder cansa, estressa, gera infarto. A submissão assegura longevidade.
* Nada mais tranquilo do que viver de mesada.
* Curtir a infância dos filhos, com uma disponibilidade pay-per-view.
* Assistir aos canais de futebol a qualquer hora.
* Aprender passos de Pole Dance e refinar fantasias sexuais.
* Reclamar que nunca é valorizado pela família.
* Especializar-se na arte da conspiração e da intriga.
* Influenciar o comportamento dos outros pela fofoca.
* Retomar a coleção de aeromodelismo da infância.
* Discutir o relacionamento com mais freqüência e ampliar o repertório de palavrões no estádio de futebol.
* Manter-se livre dos tribunais e cobranças, pois nenhuma dona de casa foi processada até hoje.
* Aperfeiçoar o faro para infidelidade, com a possibilidade de mexer em bolsos, roupas e gavetas.
* Ganhar isenção do Imposto de Renda.
* Aproveitar o tempo livre para cursos, cinema e teatro.
* Vingar-se da mãe cozinhando melhor do que ela.
* Por fim, é sempre mais prazeroso puxar o saco da mulher do que do chefe.